5 Tendências tecnológicas que estão a transformar a ajuda humanitária

19 Ago 2019

À medida que aumenta a necessidade global de alojamento, alimentos e assistência médica, novos avanços tecnológicos estão a começar a oferecer soluções para alguns desses enormes desafios.

Talvez a revolução digital já não tenha tanto impacto nas nossas vidas porque já conhecemos as transformações que o avanço da tecnologia teve no nosso quotidiano e a nossa forma de interagir, contribuindo, na maioria dos casos, para uma melhoria significativa na nossa qualidade de vida.

Porém, qual será o impacto para quem, fora da sua zona de conforto, vive e trabalha para prestar apoio a quem mais precisa?

Já em 2013 a ONU ajudou a organizar o lançamento do documento que demonstra como o uso criativo da tecnologia pode auxiliar na resposta rápida às crises humanitárias.

O documento propõe novas ferramentas tecnológicas de informação e comunicação para a ação humanitária poder antecipar a deteção de crises e das necessidades de cada lugar, aumentando a transparência das atividades. Seis anos depois, a aplicação real dessas tecnologias torna-se imprescindível para ajuda na resolução de um dos problemas sociais mais urgentes que enfrentamos: a crise dos refugiados.

Seja devido à guerra, às alterações climáticas ou a catástrofes naturais, dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a fugir de suas casas à procura de refúgio. À medida que aumenta a necessidade global de alojamento, alimentos e assistência médica, novos avanços tecnológicos estão a começar a oferecer soluções para alguns desses enormes desafios.

Fica atento aos benefícios citados e conhece algumas das tendências tecnológicas para o futuro da ajuda humanitária, que, em alguns casos, já passaram a fase de testes e estão a ter resultados promissores:

 

1. Inovações no acesso à internet e conectividade

Muitos refugiados são tão dependentes do acesso à internet quanto o resto de nós, até porque é a principal - ou única – forma que têm para contactar com os seus entes queridos e planear o seu futuro, por isso, em 2016, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas declarou que era um direito humano básico.

A agência internacional de ajuda humanitária Mercy Corps, em parceria com a multinacional Cisco, empresa de telecomunicações americana, estão a testar um programa para fornecer Wi-Fi a milhares de refugiados e migrantes em movimento em lugares como a Itália, em parceria com a Cruz Vermelha Italiana. Os residentes lá agora podem usar a Internet para aceder a plataformas como o Refugee.info, que reúne informações essenciais para as pessoas na sua jornada por um novo lar.

Na Jordânia, o acesso à Internet também está a ajudar refugiados sírios, onde se estima que cerca de 62% não sabem como obter documentação legal. A criação da plataforma Khabrona.info – a versão jordaniana do Regufee.info – bem como a rede social dessa entidade contêm informações críticas relativas a documentos sobre como tornar-se legal num país.

 

2. Identificação digital

A capacidade de provar quem somos é um direito humano fundamental e universal. Sem identidade, as pessoas são privadas de direitos e marginalizados pela sociedade. Segundo o Banco Mundial, mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo incapazes de fornecer essa identificação. Assim, formou-se uma aliança global, a ID2020, que inclui Microsoft, GAHI, Ideo.org, Simprints e uma variedade de outras entidades para ajudar a promover princípios de “boa” identidade digital.

A identidade digital é essencialmente a impressão digital eletrónica de uma pessoa - o seu registro de nascimento, vacinas, comprovativos educacionais e legais, armazenados online, de forma a evitar o desaparecimento dos mesmos.

Na Libéria, os cartões de identificação biométricos nacionais já estão em uso. Os cidadãos são obrigados a usar sua identificação biométrica (na forma de exames à retina, impressões digitais ou reconhecimento facial) para abrir uma conta bancária, registar-se para votar e para tirar a carta de condução.

 

3. Realidade virtual

Há crianças por todo o mundo que estão a crescer rodeadas de violência por culpa de guerras e outros conflitos sociais que provocam transtornos mentais, perturbação de stress pós-traumático e ansiedade crónica. A realidade virtual pode ser um caminho eficaz a seguir no tratamento destes transtornos.

No Iraque estão a testar um programa para ajudar jovens que sofreram traumas, fazendo uso da realidade virtual para criar um espaço digital seguro, controlado e calmo. Esta tecnologia imersiva pode vir a chegar a mais pessoas por um custo menor e, nesse sentido, pode dar uma nova oportunidade às crianças de terem uma infância perto do normal.

 

4. Drones

Esta tendência tecnológica já muito usada noutras áreas profissionais, podem desempenhar um papel importante em situações de emergência e perigo.

Em Porto Rico foi lançado um programa de treino com drones para ajudar nos esforços de resposta rápida a emergências. Aqueles que completam o programa de treino, tornaram-se pilotos de drones certificados e recebem os seus próprios drones. Uma vez certificados, farão vigilância para

ajudar as autoridades locais a avaliar os danos e obter uma melhor visão do meio envolvente durante esses momentos mais críticos. Um exemplo concreto da mais valia deste programa de treino é para aquelas famílias que perderam a casa durante catástrofes naturais e que, numa situação futura, poderão ter uma “visão de águia” que será determinante.

5. Impressão 3D

A impressão 3D oferece oportunidades para a inovação em várias áreas. Para o setor humanitário, é uma forma de trazer equipamentos muito importantes para as comunidades mais vulneráveis.

No campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, crianças com deficiência estão a ser ajudadas através de oficinas organizadas por voluntários da Síria para construir equipamentos personalizados como cadeiras de rodas, andadores e mesas. Este workshop acabará por abranger o uso de impressoras 3D, permitindo que voluntários os construam próteses, ferramentas de apoio e peças.

Um exemplo concreto é o caso de Malak, uma menina síria de 15 anos com nanismo e escoliose que vive nesse campo de refugiados. Com dois metros de altura, precisava de uma mesa personalizada para se sentir confortável. Graças à equipa de personalização, Malak pode agora assistir às aulas com os seus colegas.

Os avanços da tecnologia têm sido exponencias nos últimos anos, e não há dúvida que o planeta e as populações viverão ainda transformações significativas. Como tal, haverão sempre riscos como também oportunidades que podem surgir. Em todo o caso, é imprescindível o uso responsável dos conhecimentos tecnológicos de forma a oferecer soluções concretas a favor da ação humanitária (e não só), de forma a torná-la mais eficaz e eficiente.

*Ainda, a Muvu recomenda o documentário Human Flow – Não existe lar se não há para onde ir. É a nossa forma de homenagearmos a vida de quem deu a sua na ajuda humanitária, promover este dia, esta causa e dar a conhecer a realidade de quem vive nela.

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